família cunha

Saiba como era um abatedouro antigamente; a história da família Cunha

Seu Jerônimo Cunha, e o filho Hélio, estiveram juntos, assim como toda a família Cunha, no ramo de preparar carnes para vender por mais de 50 anos na localidade do bairro Barracão.

A seguir você confere como foi o tempo em que o matadouro da família Cunha esteve em funcionamento, e as histórias que percorreram essas cinco décadas.

A história da família Cunha

Jerônimo Cunha, o popular Dingo, e a esposa Carolina começaram essa história. Eles iniciaram praticamente sozinhos e ficaram conhecidos por produzir uma das mais saborosas linguiças da região.

Seu Dingo faleceu há cerca de um ano e meio e dona Carolina há mais tempo: cinco anos. Ficaram as lembranças de uma época de muitos sacrifícios, mas também de aprendizado e boa para se trabalhar”, recorda o único filho homem do casal, Hélio Cunha, 60 anos, que trabalhou boa parte da vida no abatedouro de bois e porcos.

Além dele, as outras duas filhas também cresceram auxiliando os pais no negócio. Hélio tem saudades daquela época. Depois que o matadouro fechou as portas, ele foi trabalhar de motorista de caminhão, transportando cargas por todo o Brasil. Há pouco tempo se aposentou.

O começo

Hélio conta que começou a trabalhar no matadouro aos 16 anos e só parou quase 50 anos depois. Por ser o único filho homem, era dele o trabalho mais pesado.

“Eu era responsável pelo trabalho mais difícil e perigoso: abater os animais. Eu era jovem e forte e dava conta”, revela. Ele revela que já chegou a abater 20 vinte bois num único dia. “Era lidar com um a um de forma muito rápida, e ainda tinha que limpar toda a carcaça para poder colocar à venda”.

Hoje, até a nomeclatura deste tipo de estabelecimento mudou: “matadouro” foi abolida. Os locais são chamados de frigoríficos e contam com equipamentos modernos que dispensam a força braçal e reduzem o sofrimento dos animais.

“Meu pai me achava muito corajoso, e tinha que ter coragem mesmo pra encarar bois de até 900 quilos (equivalente a 60 arrobas)”, afirma Hélio.

Os animais que recebiam

A família também criava os animais para abate, mas a maior parte da matéria-prima vinha mesmo de outras regiões do Estado e até de fora, como do Mato Grosso. “Eu lembro que meu pai comprava bois de longe. Eles vinham para cá e eu tinha que lidar com todos eles”, diz.

A clientela era grande e sortida. O matadouro dos Cunha abastecia dezenas de mercados e açougues da região. Segundo Hélio, a segunda-feira era sempre de entregas, e quem fazia esse trabalho era seu Jerônimo. “O resto da semana eu fazia tudo para deixar o produto pronto para a distribuição”, explica Hélio.

Os principais produtos comercializados, além da carne in natura, eram a linguiça artesanal e o charque, um produto colonial que consiste em uma carne seca, salgada e curada ao sol.

O charque é uma carne muito aprecida no sul do Brasil, permanecendo mais tempo para consumo, sem necessidade de refrigeração graças à adição do sal. “Eu lembro que Blumenau consumia muito charque, mas muito mesmo. Saiam cargas de mais cargas quase toda semana para lá”, revela Hélio.

Família solidária 

Os moradores da região ainda têm boas lembranças do abatedouro dos Cunha. Beto Lessa, outro grande personagem do Barracão, lembra que a família Cunha tinha um enorme coração de bondade.

“Quando algum morador estava passando necessidade, eu indicava o matadouro da família Cunha, pois lá eu sabia que a Dona Carolina iria dar um jeito de matar a fome dessa família”, garante Lessa.

Hélio confirma essa vocação de dona Carolina. “As pessoas vinham pedir de ajuda, e a minha mãe dava sempre um jeito de resolver o problema. Elas pediam porque sabiam que ela tinha para doar”.

Dona Carolina reaproveitava algumas partes do boi que não eram tão nobres e distribuía para as famílias carentes do bairro. “Ela tinha um coração enorme, que não cabia nela mesma”, comenta Hélio emocionado.

Ele diz que a família não media esforços pra tocar o negócio. “Foi uma época boa pra trabalhar”, finaliza o ex-açougueiro, com o olhar perdido no passado.

*Com informações do seu Jornal Metas.

Aproveite para procurar por serviços ou empresas mais próximas de você no Guia Município!