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Como o setor têxtil de Gaspar está lidando com a pandemia

A pandemia do Covid-19 está afetando vários segmentos da indústria, principalmente no setor têxtil de Gaspar, um dos pilares da economia no Vale e a principal da cidade.

Veja a seguir uma análise sobre como o setor têxtil de Gaspar está lidando com a situação.

Setor têxtil de Gaspar é o mais atingido pela crise econômica

Conforme explica o presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis da Região de Blumenau (Sintex), José Altino Comper, há empresas que estão com a produção quase toda parada.

Dentro do mesmo setor, há situações bastante diferentes. Por exemplo, a Cremer que produz materiais para a área da saúde, não parou, mas reduziu o número de funcionários e produção. Já as empresas voltadas para o segmento da moda, que vendem seus produtos para as lojas, estão quase 100% paradas.

São cerca de 70 mil trabalhadores no Vale do Itajaí e, em média, as empresas têxteis estão reduzindo de 10% a 15% suas equipes. Seguindo essa projeção, calculamos a demissão de aproximadamente 10 mil trabalhadores.

José Altino Comper, presidente da Sintex.

Comper, que também preside a gasparense Círculo S.A., admite que cortes ocorreram na empresa. “Infelizmente, os funcionários que estavam no período de experiência não tiveram a contratação efetivada. A redução de nosso contingente foi de 5%”, revela.

O presidente do Sintex explica que a decisão pelas demissões neste primeiro momento está ocorrendo para garantir que o trabalhador possa obter o seguro desemprego e receber o dinheiro da rescisão do contrato de trabalho.

O receio é manter esse colaborador e depois não ter como pagá-lo. Então é melhor rescindir e garantir a ele uma renda mensal. A expectativa é que as empresas levem de quatro a seis meses para se recuperarem.

Uma hora, parece que o pior já passou. Daqui a pouco essa percepção muda e passamos a acreditar que medidas mais duras possam ser anunciadas. O que temos que aprender é conviver com essa nova situação. Chegamos em um ponto em que não tem mais como não nos expormos ao vírus, o cidadão precisa trabalhar, se sustentar.

José Altino Comper, presidente da Sintex.

Uma das reclamações do Sintex é em relação à paralisação do transporte coletivo – uma decisão, segundo Comper, equivocada. “Para fazer com que os trabalhadores possam vir trabalhar e manter a produção, as empresas estão tendo que fretar o transporte, o que dobra o gasto. Outros estão optando pela carona solidária e colocando em um mesmo veículo cinco, seis pessoas. Então, um ônibus utilizando 50%, 60% de sua capacidade ficaria mais seguro do que um carro pequeno cheio de pessoas”, alerta.

José Altino Comper, presidente da Sintex (divulgação Jornal Metas)

Situação específica do setor têxtil de Gaspar

O polo do setor têxtil de Gaspar, formado por 18 municípios do Vale e Médio Vale do Itajaí, no qual Gaspar está inserido, é o segundo maior do setor no Brasil.

Neste grupo, Blumenau é a cidade destaque, seguida de Gaspar. Segundo informações do Núcleo Têxtil da ACIG, o setor é responsável por 40% do Produto Interno Bruto (PIB) do município.

São aproximadamente 1500 indústrias formais na cidade (entre confecções, facções, tinturais, tecelagens e fiações), que empregam diretamente 8.500 colaboradores.

Apesar destas empresas não terem sido inseridas no decreto estadual para fecharem em março, elas foram significativamente afetadas pela crise. Pois não há porque se produzir se sua válvula de escape, nesse caso o comércio, está fechado. Então as empresas decidiram parar a produção e liberar os funcionários, mantendo seus salários.

Douglas Junckes, coordenador do Núcleo Têxtil de Gaspar.

A partir de 30 de março e início de abril, as indústrias retornaram as atividades e, segundo Junkes, se depararam com o seguinte cenário:

70% dos pedidos haviam sido cancelados ou colocados em stand by, foi quando as empresas começaram, de fato, a sentir a crise. Então recorreram às ferramentas legais para tentar evitar as demissões.

Douglas Junckes, coordenador do Núcleo Têxtil de Gaspar.

Opções do setor têxtil de Gaspar

As opções foram dar férias ou optar pelas facilidades oferecidas pelo governo federal, que foi a rescisão temporária de dois meses (com o governo pagando 70% do salário e as empresas 30%) ou redução na carga horária. “A adesão a estas soluções deve aumentar nos próximos dias”, prevê Junkes.

Isso porque metade das empresas gasparenses produzem para grandes magazines, tendo um ou dois clientes apenas. E, se em Santa Catarina o comércio já foi autorizado a abrir, em outros estados, como São Paulo, as lojas devem permanecer fechadas até 15 de maio.

Então o que aconteceu é que os pedidos já produzidos não foram mais vendidos e as vendas que tinham para receber também não aconteceram porque os clientes pediram para prorrogar o pagamento. Isso abre uma grande lacuna no fluxo de caixa das empresas.

Douglas Junckes, coordenador do Núcleo Têxtil de Gaspar.

Já as indústrias que vendem para o comércio em geral, para pequenas lojas, também estão encontrando dificuldades. “Eles voltaram a procurar pelas mercadorias, mas pedem um prazo maior para pagá-las, solicitando um pagamento para daqui 60, 90 dias”.

O coordenador reconhece que o momento é de sobrevivência e que cada empresa, dentro de seu contexto e sua realidade, terá que decidir pelas melhores soluções. “Teremos muitas dificuldades pelo menos até junho, julho. Mas já diz o ditado que é nas crises que surgem as oportunidades. Vejo as empresas mais atentas, buscando mais inovação. Daqui há alguns anos, vamos falar que chegamos até aqui devido ao que aconteceu em 2020”. 

“São cerca de 70 mil trabalhadores no Vale do Itajaí e, em média, as empresas têxteis estão reduzindo de 10% a 15% suas equipes. Seguindo essa projeção, calculamos a demissão de aproximadamente 10 mil trabalhadores”

Apesar destas empresas não terem sido inseridas no decreto, elas foram significativamente afetadas pela crise, pois não há porque se produzir se sua válvula de escape, nesse caso o comércio, está fechado.

Douglas Junckes, coordenador do Núcleo Têxtil de Gaspar.
Douglas Junckes, coordenador do Núcleo Têxtil de Gaspar (Divulgação / Jornal Metas)

*Com informações do seu Jornal Metas.

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