Descrição

HISTÓRIA

Paróquia é criada em 1861

Por Moacir Beggo

A pequena igrejinha de madeira e barro na margem esquerda do rio Itajaí

Quem chega na cidade catarinense de Gaspar, situada no Vale do Itajaí, não tem como escapar do encantamento que provoca a sua Igreja Matriz São Pedro Apóstolo, no alto da colina ou “morro da igreja”, como a chamam os gasparenses. Majestosa, imponente e bela, essa construção é o cartão postal da cidade e o orgulho dos seus cidadãos.

A história da igreja e da cidade caminham juntas. Sobre a presença franciscana, segundo Frei Elzeário Schmitt, de saudosa memória, “a verdadeira presença permanente dos franciscanos em Gaspar começou em 17 de setembro de 1900, festa das Chagas de São Francisco, quando Frei Pedro Sinzig e o irmão leigo Wigberto Birk vieram residir em Gaspar”.  Essa presença resultou num número expressivo de vocações: 26 filhos de São Francisco.

Antes da criação da paróquia, o primeiro templo católico da cidade era uma pequena igrejinha de madeira e barro, que ficava na margem esquerda do rio Itajaí.  Era o ano de 1850. “Conjugados esforços deixaram a capelinha pronta para a Quinta-Feira Santa de 1850, dia que evoca a instituição da Eucaristia. Imagine-se com que piedade e satisfação as piedosas famílias daquela época fizeram o seu culto”, diz Frei Elzeário, no seu livro “São Pedro Apóstolo, 158 anos nas malhas da história”. Entre os líderes que construíram o pequeno templo está Frederico Guilherme Schramm.

Centro da freguesia de São Pedro Apóstolo, no início do século XX (óleo sobre tela de Élio Hahnemann)
Centro da freguesia de São Pedro Apóstolo, no início do século XX (óleo sobre tela de Élio Hahnemann)

Nesse tempo, os fiéis que frequentavam essa capelinha eram na maioria descendentes de portugueses e alemães. Segundo a história do município,  os primeiros habitantes de Gaspar foram os índios botocudos, dizimados com o início da colonização, a partir do século XVII, quando chegaram no Região do Médio Vale do Itajaí os paulistas da Capitania de São Vicente, que trouxeram consigo muitos escravos, em busca de ouro e riquezas. No século XVIII, chegaram os imigrantes dos Açores,  com o aval da Coroa Portuguesa, preocupada com o interesse crescente dos espanhóis pelas terras. Aliás, o próprio nome Gaspar, genuinamente português, pode ter origem com os portugueses.  Não há na história de Gaspar qualquer documento que afirme a origem do topônimo. Há quem diga que o nome surgiu para venerar os santos Reis Magos.

Com os colonizadores europeus,  os  alemães ( 1835) e os italianos (1875), teve início o desenvolvimento da região. Com a criação da Paróquia, em 1861, veio o primeiro vigário, o Pe. Alberto Francisco Gattone. Em 2 de abril de 1857, o Dr. Hermann Blumenau doa o terreno, no alto da colina da margem direita, para a construção da segunda igreja, que foi inaugurada em 29 de junho de 1867, festa de São Pedro e São Paulo.

A segunda igreja construída no alto da colina e inaugurada em 1867

Esse templo inda não agradou a comunidade, que se mobilizou para construir um novo. Segundo a historiadora Leda M. Baptista, essa igreja é ainda descrita com saudades pelos gasparenses mais antigos: “Representava uma verdadeira obra de arte, tanto pelo estilo arquitetônico, como pela pintura artística de seu interior”.  A 10 de dezembro de 1942, D. Daniel Hostin, celebrou a última missa na matriz que ia ser demolida. Ele é um dos quatros bispos que a cidade deu para a Igreja, sendo o último neste ano, Dom Frei Jaime Spengler.

A festa de inauguração aconteceu no dia 3 de maio de 1956, com a bênção do Bispo de Joinville, D. Inácio Krause.

Frei Godofredo Sieber é a principal figura de destaque na construção desta igreja. “De doença em doença, de sacrifício em sacrifício, de desdobramento em desdobramento, de dificuldade em dificuldade, Frei Godofredo assumiu e completou a obra de sua vida: a atual igreja matriz de Gaspar”, escreve Frei Elzeário no seu livro.

A construção da nova igreja em estágio avançado em 1940
A construção da nova igreja em estágio avançado em 1940

Já em 1880,  as freguesias de São Paulo Apóstolo de Blumenau e São Pedro Apóstolo de Gaspar (pertencentes até então ao município de Itajaí) passaram a formar um município, chamado Blumenau. Nessa data, o número de habitantes do então município, com 11 mil quilômetros quadrados, era de 16.308 pessoas.  Apenas em 18 de março de 1934, o município tornou-se emancipado e seu primeiro prefeito foi Leopoldo Schramm.

Em 1983, foram realizadas obras de pintura e reforma da Matriz: o piso foi consertado e lixado, os bancos foram envernizados e o bispo local, D. Carlos Schmitt doou a via-sacra esculpida em madeira. Ele mesmo celebrou 40 anos de sacerdócio e fez a inauguração interna da matriz.

AQUELA IGREJA! – Humberto de Alencar Castelo Branco, presidente do Brasil entre 1964 e 1967, certa vez recebeu em palácio a Dom Quirino, e perguntou-lhe de onde tinha nascido.
– Sou catarinense de Gaspar, Excelência!
– De Gaspar? Mas veja só! Aquela Igreja!…. O presidente havia passado pelo Vale do Itajaí e nunca mais lhe saíra da lembrança a igreja de Gaspar.

O PADROEIRO

São Pedro Apóstolo

Imagem de São Pedro que fica na Capelinha do fundo da igreja.
Imagem de São Pedro que fica na Capelinha do fundo da igreja.

Discípulo de Jesus nascido em Betsaida, Galiléia, conhecido como o Príncipe dos Apóstolos e o fundador da Igreja Cristã em Roma e considerado pela Igreja Católica como seu primeiro Papa. As principais fontes de informação sobre sua vida são os quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João), onde aparece com destaque em todas as narrativas evangélicas, os Atos dos Apóstolos, as epístolas de Paulo e as duas epístolas do próprio apóstolo. Filho de Jonas e irmão do apóstolo André, seu nome original era Simão e na época de seu encontro com Cristo morava em Cafarnaum, com a família da mulher (Lc 4,38-39).

Pescador, tal como os apóstolos Tiago e João, trabalhava com o irmão e o pai e foi apresentado a Jesus por seu irmão, em Betânia, onde tinha ido conhecer o Cristo, por indicação de João Batista. No primeiro encontro Jesus o chamou de Cefas, que significava pedra, em aramaico, determinando, assim, ser ele o apóstolo escolhido para liderar os primeiros propagadores da fé cristã pelo mundo. Jesus, além de muda-lhe o nome, o escolheu como chefe da cristandade aqui na terra: “E eu te digo: Tu és pedra e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também nos céus” (Mt. 16: 18-19).

líder dos doze apóstolos

Convertido, despontou como líder dos doze apóstolos, foi o primeiro a perceber em Jesus o filho de Deus. Junto com seu irmão e os irmãos Tiago e João Evangelista, fez parte do círculo íntimo de Jesus entre os doze, participando dos mais importante milagres do Mestre sobre a terra. Teve, também, seus momentos controvertidos, como quando usou a espada para defender Jesus e na passagem da tripla negação, e de consagração, pois foi a ele que Cristo apareceu pela primeira vez depois de ressuscitar.

Após a Ascensão, presidiu a assembléia dos apóstolos que escolheu Matias para substituir Judas Iscariotes, fez seu primeiro sermão no dia de Pentecostes e peregrinou por várias cidades. Fundou as linhas apostólicas de Antióquia e Síria, as mais antigas sucessões do Cristianismo, precedendo as de Roma em vários anos, que sobrevivem em várias ortodoxias Sírias.

Encontrou-se com São Paulo, ou Paulo de Tarso, em Jerusalém, e apoiou a iniciativa deste, de incluir os não judeus na fé cristã, sem obrigá-los a participarem dos rituais de iniciação judaica. Após esse encontro, foi preso por ordem do rei Agripa I, encaminhado à Roma durante o reinado de Nero, onde passou a viver. Ali fundou e presidiu à comunidade cristã, base da Igreja Católica Romana e, por isso, segundo a tradição, foi executado por ordem do imperador, no mesmo ano de Paulo e pelo mesmo motivo, mas em ocasiões diferentes.

Conta-se, também, que pediu para ser crucificado de cabeça para baixo, por se julgar indigno de morrer na mesma posição de Cristo. Seu túmulo se encontra sob a catedral de S. Pedro, no Vaticano, e é autenticado por muitos historiadores. É festejado no dia 29 de junho.

AS IMAGENS DO PADROEIRO

Segundo o livro de Frei Elzeário Schmitt levanta uma dúvida: ele transcreve do livro de crônicas que em 1890 a igreja matriz recebeu a bela estátua de São Pedro, mas logo a seguir há um texto dizendo que em dezembro de 1887, portanto, alguns anos antes, a igreja recebeu a estátua de São Pedro que custou 157$000.

De qualquer forma, duas estátuas grandes existem na igreja até hoje: uma no altar-mor, junto com a de São Paulo, e a outra na capelinha no fundo da igreja. Ambas são do mesmo tamanho e antigas. Como não se encontra nas fontes existentes depois dessa época nenhuma indicação de uma nova estátua para a igreja, pode-se afirmar que as duas são do fim do século 19.

A imagem no centro da fachada da igreja tem 3 metros de altura, pesando 1.200 quilos.

A FESTA DO PADROEIRO

Procissão durante a festa do Padroeiro de Gaspar.
Procissão durante a festa do Padroeiro de Gaspar.

A grande festa da Paróquia é a do padroeiro, no dia 29 de junho. “A Festa de São Pedro Apóstolo surgiu há 161 anos, antes de a Paróquia ser reconhecida. São 161 anos ininterruptos de festa, por isso ela é uma referência regional”, destaca o pároco Frei Germano Guesser.

Na parte religiosa da Festa de São Pedro foi criada há três anos a procissão fluvial. “Cada vez mais tem atraído as pessoas. São Pedro era pescador e tirava o seu sustento do mar. Jesus o encontrou num barco e o fez o príncipe da Igreja. Então, é um resgaste muito feliz”, explica o pároco, dizendo que a ideia da procissão foi de Frei Florival Mariano de Toledo, hoje residindo na Fraternidade do Santuário do Divino Espírito Santo, em Vila Velha (ES).

A procissão, contudo, nunca deixou de existir, embora não fosse fluvial, como conta o livro das crônicas dos frades. “Após a missa, vinha a procissão, acompanhada de toda a gente. Para brasileiros, uma festa sem procissão mal pode ser imaginada. Para eles, a procissão significa o ponto alto da festa”.

A festa do Padroeiro é a grande responsável pelas entradas de dinheiro na Paróquia. Para o coordenador do CPC,  Clarindo Fantoni, o dízimo ainda não ganhou força como em muitas paróquias, onde através dele os fiéis têm obrigação de socorrer às necessidades da Igreja.

Dia da Festa: 29 de junho

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